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 "Susto no Império americano" - Adaptado da Revista Veja de 26 de abril de 2000

 

   " O país mais rico do mundo, que domina os sonhos de consumo e dita o estilo de vida do planeta, enfrenta rebeldes das ONGs e a exuberância irracional nas bolsas de valores"

 

       Num período glorioso, os Estados Unidos crescem um Brasil a cada dois anos. Os soluços recessivos nos anos que precederam esta fase de ouro do presidente Bill Clinton arrancavam-lhes anualmente a riqueza  de uma Argentina. O PIB americano supera a totalidade dos PIBs somados da França, da Alemanha e do Japão. Ainda que tecnicamente não seja imperial, já que não ocupa fisicamente territorios alheios, como fizeram todos os outros impérios, inclusive o soviético, os Estados Unidos iniciam este século como potência hegemônica planetária. Têm um domínio econômico, cultural, científico e militar inquestionável. Mesmo todo o tamanho e solidez, o império está sendo observado com certa preocupação pelos outros países. Os próprios americanos temem que o ciclo de crescimento em que navegam há uma década possa estar exagerado. Falam a todo momento em "exuberância irracional" nas bolsas de valores. Estão com medo de que a bolha estoure, de que a economia esfrie, mesmo que ela se mantenha aquecida contra todas as expectativas.

       Em 1997, a Ásia teve uma gripe, o mundo todo entrou em pânico e o Brasil se contorceu numa crise financeira de Malária. Em 1998, o urso que mora na Rússia entrou em hibernação forçada sob o chicote de uma quebradeira colossal. O mundo ficou em pânico outra vez e o Brasil também foi para a cama, com dengue hemorrágica. Agora, e se, por acaso, o porta-aviões americano, a maior economia mundial, é que desse uma guinada fora do padrão? Não seria necessário nem uma improvável crise como a de 1929, nem uma paralisia passageira como a que aconteceu com o Japão. Mas, com certeza, muita coisa aconteceria se os EUA apenas mudasse a rota ou a velocidade.

       O resto do mundo dificilmente escaparia de um período recessivo se o ritmo americano diminuísse, pelo menos, 20%.  A influência americana é simplesmente grande demais.  O mundo está excessivamente dependente dos humores da economia do Tio Sam. Muitos protestos vem ocorrendo, ONGs se manifestando contra a Globalização, manifestações. E são os Esatados Unidos que regem e impusionam esse processo.

       Ninguém sabe ao certo, porém, se a supervalorização das ações pontocom vai durar, embora muitos acreditem que não; ninguém sabe se o otimismo excessivo está inflando artificialmente o mercado de ações.

        

       A Formação do Império

 

       Thomas Skidmore, professor americano, define: "Os Estados Unidos têm o poder da força, pois são os detentores do maior arsenal do planeta, têm o poder econômico, já que são os mais ricos e prósperos, e, para completar, ainda têm os artistas de Hollywood, que convencem a humanidade de que seu estilo de vida é o que há de mais sensacional." Historicamente, os impérios se formaram a partir do domínio territorial, militar e tributário sobr outros povos. Os impérios clássicos, como o romano, o árabe e mesmo o britânico, se impuseram pela força militar e quase sempre acabaram afundando em razão de conflitos com os povos dominados. Por mais invasivos e onipresentes que sejam no mundo moderno, os Estados Unidos não podem ser descritos, pelo critério da historiografia clássica, como um império. Pelo critério puramente econômico, porém, os EUA são inescapavelmente imperiais. Sua economia gera um terço da riqueza em circulação pelo planeta, e esse poder econômico é o que supera o poder militar. Embora boa parte de seu território tenha sido arrancada do vizinho México pelo poder das armas, os Estados Unidos renunciaram à guerra de conquista e a expansão territorial, por força de lei, ainda nos anos 20. Foi quando se lançaram em outra batalha, a da conquista econômica. Os principais movimentos políticos nessa direção:

  • Primazia dos negócios >> segundo disse o presidente Calvin Coolidge, em 1928: "O negócio desse país são os negócios"

  • A guerra justa >> em dezembro de 1941, ainda sob o impacto do ataque a Pearl Harbor, Franklin Roosevelt afirmou: "O povo americano, com o poder dos justos, vai triunfar pela vitória absoluta". Ou seja, não seriam apenas fortes, mas estariam sempre do lado da virtude.

  • O Patriotismo >> John kennedy, 35º presidente americano, em seu discurso de posse: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país".

  • Liberdade econômica >> segundo Ronald Reagan: "O governo não é parte das soluções para este país. O governo é o problema". Ele falava da política de gastança pública de seus antecessores imediatos, que gerou inflação e estagnação a ponto de ameaçar a hegemonia do país no mundo. Reagan contribuiu para reconduzir os EUA à austeridade fiscal.

       O poder do Entretenimento

       

       Também extremamente importante para o domínio americano é a sua indústria cultural de massa, que invade territórios estrangeiros levando seu estilo de vida como exemplo a ser seguido. Um dos principais meios é o cinema, presente em todo o mundo.  O que fascina as platéias, além dos efeitos especiais, é o retrato idealizado que as fitas fazem da sociedade americana. A indústria do entretenimento é um dos mais lucrativos artigos de exportação dos Estados Unidos. Na área de televisão e música, porém, o controle não é tanto. O cinema é a maior arma estratégica da indústria de entretenimento americana. 

 

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