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 > Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro

 

 

   

 


POEMAS


 

Amar

 

amar e esquecer,

amar e malamar?

amar, desamar, amar?

 


Cidadezinha qualquer

 

Casas entre bananeiras

mulheres entre laranjeiras

pomar amor cantar

 


José

 

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou

e agora, José?

 


No meio do caminho

 

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

 


 

Índice completo

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902, e morreu em 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro, de problemas cardíacos.

O nome Drummond vem de um antepassado escocês. Carlos, aliás, vinha de uma das famílias mais antigas de Itabira, de fazendeiros, embora em decadência. Era o nono filho do casal Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade.

Estudou em colégio de jesuítas em Nova Friburgo, RJ, e de lá foi expulso devido a "insubordinação mental", após um incidente com seu professor de português.

Formou-se em farmácia em 1925, por pressão familiar, mas não chegou a exercer a profissão. Paralelamente a seu trabalho como jornalista e escritor, deu aulas de geografia e português, foi funcionário público, foi chefe de gabinete do ministro da educação, no Rio de Janeiro, até 1945, trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e se aposentou em 1962 recebendo carta de louvor do Ministro da Educação, Oliveira Brito.

Colaborou para várias revistas e jornais, e chegou a fundar "A Revista", que não circulou por muito tempo, mas contribuiu para divulgar o movimento modernista em Minas. Começou aos 14 anos, escrevendo para o jornal do colégio. Trabalhou no Diário de Minas, e foi também co-diretor do jornal comunista Tribuna Popular por alguns meses. Também colaborou para: Jornal Minas Gerais, Revista do Ensino da Secretaria de Educação, A Tribuna,  Estado de Minas, Diário da Tarde, Revista Acadêmica, Revista Euclides, A Manhã, Correio da Manhã, Folha Carioca, Jornal do Brasil, Revista Todos.

Em 1925 Drummond casou-se com Dolores Dutra, e com ela teve apenas uma filha, Maria Julieta. Em 1927 nasceu Carlos Flávio, mas este morreu em menos de uma hora de vida. Maria Julieta foi cronista e grande companheira de Carlos ao longo da vida; casou-se em 49 com um escritor argentino, e foi morar em Buenos Aires; morreu de câncer 12 dias antes de seu pai. Seu marido, Manuel Graña Etcheverry, chegou a traduzir algumas obras de Drummond, como "Dos Poemas".

Em 1994 morreu Dolores, viúva do escritor, aos 94 anos.

Drummond é um dos mais influentes autores brasileiros até hoje. Produziu poesias, contos, traduções e crônicas. Suas obras foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas: "In the middle of the road" (EUA), "La bolsa y la vida" (Argentina), "Frän oxen tid" (Suécia), por exemplo. Em 1928 causou um escândalo literário ao publicar o poema "No meio do caminho", na Revista de Antropofagia de São Paulo. Seu primeiro livro, "Alguma Poesia", saiu em 1930, em edição bancada pelo próprio autor. Depois vieram "Sentimento do Mundo" (1940), "Poesias" (1942), "Poesia até agora" (1948), e daí por diante. Escreveu seu último poema "Elegia a um tucano morto" em 31 de janeiro de 1987, ano de sua morte.

Traduziu várias obras de autores estrangeiros:
 
  • Os Camponeses (Les Paysans), de Honoré de Balzac
  • As relações perigosas (Les Liaisons dangereuses), de Choderlos de Laclos
  • A fugitiva (La Fugitive), de Marcel Proust
  • Dona Rosita, a solteira (Doña Rosita, la soltera), de García Lorca
  • Uma gota de veneno (Thérèse Desqueyroux), de François Mauriac
  • Artimanhas de Scapino (Les Fourberies de Scapin), de Molière
  • Fome (Sult), de Knut Hamsun

Recebeu os seguintes prêmios:

  • 1922: Concurso Novela Mineira, ganhou 50 mil réis pelo conto "Joaquim do Telhado"
  • 1946: Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d'Oliveira.
  • 1958: Prêmio Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais, pela encenação de Dona Rosita, a solteira.
  • 1962: Prêmio Padre ventura
  • 1963: Prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, & Luísa Cláudio de Sousa, do PEN Clube do Brasil, pelo livro "Lição de coisas".
  • 1974: Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
  • 1975: Prêmio Nacional Walmap de Literatura
  • 1975: Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal - RECUSADO
  • 1980: Prêmio Estácio de Sá, de jornalismo.
  • 1980: Prêmio Morgado Mateus (Portugal), de poesia.

  

CURIOSIDADES:

O poema "A Luis Mauricio infante" é dedicado a seu segundo neto, Luis Mauricio, nascido na Argentina
 


 
O poema "Canção amiga" aparece na nota de 50 cruzeiros de 1989, junto com seu retrato, lembra? Foi uma homenagem da Casa da Moeda ao poeta.

      

  

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